É engraçado. Hoje me dei conta que as pessoas que julgo certas, não me enxergam como eu gostaria. As que não julgo nem certas nem erradas, me enxergam como eu gostaria que as que julgo certo enxergassem. Porém são as que me machucaram no final. Por Deus, me dá arrepios ao pensar nas pessoas que eu julgaria erradas.
domingo, 4 de maio de 2008
terça-feira, 8 de abril de 2008
How Kind of You...
O carro para e então:
Não sei como dizer. É um pouco complicado. Na verdade muito. Eu gosto de você! Você é maravilhoso. Um homem incrível e carinhoso. Você pega bem demais, cozinha bem demais, conversa, tem um gosto musical maravilhoso. Você foi como o Sol na minha vida, entende? Quando se está com a janela fechada e tudo fica escuro, então entra aquele pequeno raio de luz persistente para iluminar o ambiente; este raio é você. Você foi o amanhecer caloroso de uma noite terrivelmente fria e sozinha. Em cada gota de orvalho da manhã tinha sua voz me desejando bom dia; cada lágrima que derramei você transformou em sorriso; cada sorriso um beijo; cada beijo uma viagem em minh'alma; cada viagem um carinho inesquecível; cada carinho um suspiro; cada suspiro o seu nome; cada nome um desejo de te possuir. Tuas mãos foram minhas com calma. Teu olhar um afago amistoso; teus lábios o caminho da perdição; teu cheiro a loucura; teu toque o arrepio. Você foi na minha vida a última esperança. Você chegou sem me dizer que vinha. Cada minuto que te esperei foi compensado com tua presença.
Mas não te quero, tchau.
O Homem Certo na Hora Errada, meu romance de um único capítulo e única página.
*Alguns fatos são reais, outros mera invenção. A intenção era não deixá-lo com três vergonhosas linhas.*
quinta-feira, 20 de março de 2008
Anything to Say You're Mine.
Oh! amor, grande amor!
Miserável é a chama
De sua eternidade mesquinha
E falso é o seu calor.
Quanto de ti é amor
E quanto será ilusão?
O sorriso amigo inebriando-se em fervor
Torna desgostosa tua feição.
Não, meu bem! Hoje acordei.
Amanhã, quem sabe talvez,
Dilacerar-me-ei por ti
Mais uma vez.
Miserável é a chama
De sua eternidade mesquinha
E falso é o seu calor.
Quanto de ti é amor
E quanto será ilusão?
O sorriso amigo inebriando-se em fervor
Torna desgostosa tua feição.
Não, meu bem! Hoje acordei.
Amanhã, quem sabe talvez,
Dilacerar-me-ei por ti
Mais uma vez.
terça-feira, 18 de março de 2008
Look at me

Que fazes aqui? Que queres?
Teu tempo já passou.
Aquilo que mais deseja, não és;
Nunca o foi.
O que outrora amou-te,
Agora odeia-te.
O rio da vida corre, frio.
Leva consigo todos os seus desejos
E lembranças de um passado bom.
E longe vai o rio...
Dor inútil.
O tempo passou.
Nada fará para mudar;
Não há mudança.
E longe vai o rio...
domingo, 16 de março de 2008
Stupid Thing
quinta-feira, 6 de março de 2008
Caio Fernando Abreu
Extremos da Paixão
"Não, meu bem, não adianta bancar o distante;
lá vem o amor nos dilacerar de novo..."
Andei pensando coisas. O que é raro, dirão os irônicos. Ou "o que foi?" - perguntariam os complacentes. Para estes últimos, quem sabe, escrevo. E repito: andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro(a)- mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua vivo(a), há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo- porque se poderia ter, já que está vivo(a). Mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é: NEVER.
Pensando nisso, pensei um pouco depois em Boy George: meu-amor-me-abandonou-e-sem-ele-eu-nao-vivo-então-quero-morrer-drogado. Lembrei de John Hincley Jr., apaixonado por Jodie Foster, e que escreveu a ela, em 1981: "Se você não me amar, eu matarei o presidente". E deu um tiro em Ronald Regan. A frase de Hincley é a mais significativa frase de amor do século XX. A atitude de Boy George - se não houver algo de publicitário nisso - é a mais linda atitude de amor do século XX. Penso em Werther, de Goethe. E acho lindo.
No século XX não se ama. Ninguém quer ninguém. Amar é out, é babaca, é careta. Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixão e loucura, entre paixão e suicídio. Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira: compreendo sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe, berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo entre esses dois portos gelados da solidão é mera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o terno do perecível, loucos.
Depois, pensei também em Adèle Hugo, filha de Victor Hugo. A Adèle H. de François Truffaut, vivida por Isabelle Adjani. Adèle apaixonou-se por um homem. Ele não a queria. Ela o seguiu aos Estados Unidos, ao Caribe, escrevendo cartas jamais respondidas, rastejando por amor. Enlouqueceu mendigando a atenção dele. Certo dia, em Barbados, esbarraram na rua. Ele a olhou. Ela, louca de amor por ele, não o reconheceu. Ele havia deixado de ser ele: transformara-se em símbolo sem face nem corpo da paixão e da loucura dela. Não era mais ele: ela amava alguém que não existia mais, objetivamente. Existia somente dentro dela. Adèle morreu no hospício, escrevendo cartas (a ele: "É para você, para você que eu escrevo" - dizia Ana C.) numa língua que, até hoje, ninguém conseguiu decifrar.
Andei pensando em Adèle H., em Boy George e em John Hincley Jr. Andei pensando nesses extremos da paixão, quando te amo tanto e tão além do meu ego que - se você não me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroína ou eu mato o presidente. Me veio um fundo desprezo pela minha/nossa dor mediana, pela minha/nossa rejeição amorosa desempenhando papéis tipo sou-forte-seguro-essa-sou-mais-eu. Que imensa miséria o grande amor - depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas. Num bar qualquer, numa esquina da vida.
Ai que dor: que dor sentida e portuguesa de Fernando Pessoa - muito mais sábio -, que nunca caiu nessas ciladas. Pois como já dizia Drummond, "o amor car(o,a,) colega esse não consola nunca de núncaras". E apesar de tudo eu penso sim, eu digo sim, eu quero Sins.
(in Pequenas Epifanias)
Pensando nisso, pensei um pouco depois em Boy George: meu-amor-me-abandonou-e-sem-ele-eu-nao-vivo-então-quero-morrer-drogado. Lembrei de John Hincley Jr., apaixonado por Jodie Foster, e que escreveu a ela, em 1981: "Se você não me amar, eu matarei o presidente". E deu um tiro em Ronald Regan. A frase de Hincley é a mais significativa frase de amor do século XX. A atitude de Boy George - se não houver algo de publicitário nisso - é a mais linda atitude de amor do século XX. Penso em Werther, de Goethe. E acho lindo.
No século XX não se ama. Ninguém quer ninguém. Amar é out, é babaca, é careta. Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixão e loucura, entre paixão e suicídio. Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira: compreendo sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe, berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo entre esses dois portos gelados da solidão é mera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o terno do perecível, loucos.
Depois, pensei também em Adèle Hugo, filha de Victor Hugo. A Adèle H. de François Truffaut, vivida por Isabelle Adjani. Adèle apaixonou-se por um homem. Ele não a queria. Ela o seguiu aos Estados Unidos, ao Caribe, escrevendo cartas jamais respondidas, rastejando por amor. Enlouqueceu mendigando a atenção dele. Certo dia, em Barbados, esbarraram na rua. Ele a olhou. Ela, louca de amor por ele, não o reconheceu. Ele havia deixado de ser ele: transformara-se em símbolo sem face nem corpo da paixão e da loucura dela. Não era mais ele: ela amava alguém que não existia mais, objetivamente. Existia somente dentro dela. Adèle morreu no hospício, escrevendo cartas (a ele: "É para você, para você que eu escrevo" - dizia Ana C.) numa língua que, até hoje, ninguém conseguiu decifrar.
Andei pensando em Adèle H., em Boy George e em John Hincley Jr. Andei pensando nesses extremos da paixão, quando te amo tanto e tão além do meu ego que - se você não me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroína ou eu mato o presidente. Me veio um fundo desprezo pela minha/nossa dor mediana, pela minha/nossa rejeição amorosa desempenhando papéis tipo sou-forte-seguro-essa-sou-mais-eu. Que imensa miséria o grande amor - depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas. Num bar qualquer, numa esquina da vida.
Ai que dor: que dor sentida e portuguesa de Fernando Pessoa - muito mais sábio -, que nunca caiu nessas ciladas. Pois como já dizia Drummond, "o amor car(o,a,) colega esse não consola nunca de núncaras". E apesar de tudo eu penso sim, eu digo sim, eu quero Sins.
(in Pequenas Epifanias)
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
One After 909

Sugar plum fairy, sugar plum fairy; dizia John Lennon no take 1 de A Day in The Life. Isso seria o famoso "one two three". Então começo esse blog assim. Não tenho compromisso com algum tema de postagem. Vou escrever o que me der na telha. Seja coisa minha, de outras pessoas ou até mesmo comentários sobre coisas escritas de outrem. Se quem ler gostar, ótimo. Se não, ótimo também. Isso é clichê, mas eu não tenho o que falar. Afinal preciso de uma primeira postagem pra arrumar isso aqui. Bom, por enquanto é só.
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