sábado, 27 de setembro de 2008

There she goes...

Cai a chuva na janela enquanto vejo ela partir.
A distância é maior do que eu posso existir.

Quantos dias, quantas noites já passaram no olhar?
Tresloucado pela rua sigo a te procurar.

Suas palavras tão sinceras eu procuro abraçar,
Todos os sonhos e mentiras que elas julgam entregar.

E se não há mais nada a fazer eu fico aqui,
Enquanto a vida passa e o amor vem me iludir.

Eu deixarei que morra em mim o meu desejo de te amar.
Mas os meus olhos, mesmo assim, ainda querem te encontrar.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Samba do Grande Amor

Tinha cá pra mim
Que agora sim
Eu vivia enfim o grande amor
Mentira
Me atirei assim
De trampolim
Fui até o fim um amador
Passava um verão
A água e pão
Dava o meu quinhão pro grande amor
Mentira
Eu botava a mão
No fogo então
Com meu coração de fiador

Fui muito fiel
Comprei anel
Botei no papel o grande amor
Mentira
Reservei hotel
Sarapatel
E lua-de-mel em Salvador
Fui rezar na Sé
Pra São José
Que eu levava fé no grande amor
Mentira
Fiz promessa até
Pra Oxumaré
De subir a pé o Redentor

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

sábado, 20 de setembro de 2008

Why does it always rain on me?

Eu devia ter sido sociopata-psicopata-psicótico.
Devia ter usado todas as drogas que existem,
Bebido tudo o que me convêm, caído onde bem entender,
Devia ter comido todas, pego todas as doenças possíveis;
Devia ter cuspido, humilhado, pisado, gargalhado, estraçalhado,
Golpeado, esfaqueado, traído.
Devia ter pego o carro no meio da noite,
Devia tê-lo enfiado no primeiro poste.
Devia ser preso por matar, roubar.
Devia ser grosso, estúpido, intransigente,
Nefasto, falso, cruel com todos.
Devia fazer o que quiser.
Devia ter feito...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Norwegian Wood...

O passado bate à porta como uma criança pedindo doces. O olhar cativante, a cabeça inclinada com um sorriso leve nos lábios. Doces ou travessuras? Mal sabe a criança que, antes de chegar na porta, o caminho foi longo e desgastante. Medo? Talvez. Os sentimentos do ano anterior eram fortes, tinham vontade, garra, perseverança, força para encarar a dificuldade, seja ela qual fosse. Mas tiveram de ser abortados. Parar no meio do caminho. E agora? É, a festa acabou. Restava ir para casa chorar ou outra coisa qualquer para substituir o que não podia mais sentir-se. Que vazio repentino. Que dor maldita. O Dono da Porta se sentia feio, sujo. Não merecia brincar de ser feliz com a criança. Não merecia ser feliz com nada. E quando ele mais sentiu que merecia, lhe foi tirado da noite pro dia. Quando o Dono da Porta passou a acreditar que o otimismo realmente trazia coisas boas, a tristeza voltou da curtíssima viagem de férias, abriu a geladeira, pegou uma bebida, e sentou-se no sofá. O passado bate à porta como uma criança pedindo doces. O Dono da Porta a observa com um sorriso tímido. Os olhos brilhando, as lágrimas querendo sair. A criança se vai, feliz. O Dono da Porta fecha a porta com um sorriso. A tristeza pediu mais uma bebida e ele foi buscá-la. Mal sabe a criança...