O poeta nas trevas se engrandece.
Alimenta-se da escuridão como
Vermes famintos que empanturram-se
De um fresco cadáver.
Sujam os olhos as mãos pútridas de angústia.
Os demônios a espreita conspiram.
O poeta agarra-se ao papel
Feito o abutre que aprecia
O último olho da carcaça.
Com a pálida chama de sua alma
Dos poemas faz-se cinza e fumaça.
Inspirando os versos fumacentos, à carne
Agrega-os como um câncer maldito
E às vestes provê o cheiro acre da insolência.
À cova, consigo, a carne poética.
À existência, regurgitarão os demônios as cinzas.
À eternidade, a fumaça.
